Quando lembramos dos mestres do passado de saudosas memórias, quantos ensinamentos nos legaram.

Reclamávamos dos livros super grossos de História da Civilização que o Padre Olímpio de Souza nos levava a saber de ponta a ponta, da primeira a ultima folha.

Sei o quanto isso me fez bem, e, para minhas colegas, pois no decorrer dos anos nosso crescimento acadêmico e na vida, foi evidente.

Lembro do professor Zacarias com seu livro Apontamentos de Análise, que tínhamos de dominar todos os conteúdos gramaticais.

Naquelas salas do Instituto de Educação no início de cada aula, eram perguntas e mais perguntas trocadas entre colegas e ai quem errasse, hum, já levava uma bronca do mestre, pois análises sintáticas e gramaticais, acentuações, verbos, objeto direto e indireto, cognitivos entre tantos e tantos atalhos da nossa língua, tínhamos de assimilar.

Incentivava (cobrava pelas notas mensais), que escrevêssemos sonetos, poesias, contos, composições, descrições, nossa... eram infindáveis seus apelos para que gostássemos da língua portuguesa.

Sinto dó em não ter arquivado o que escrevi naqueles tempos. Gostaria de comparar pensamentos de uma época, de uma idade, de uma mentalidade juvenil, com a de agora.

O tempo foi passando. Saímos dos bancos escolares e fomos assumir o papel que eles sabiamente por muitos anos desempenharam, ou seja, atrás da mesa da sala de aula e em frente a um quadro de giz.

A história educacional do nosso Estado revela que teve em seus quadros, pessoas da mais elevada sabedoria e dedicação.

Posso afirmar ainda, que nas escolas em que dediquei horas de trabalho em até três turnos, convivi com professoras com o mesmo espírito dos meus antigos mestres, pessoas que procuravam sempre aprender para melhor transmitirem, foi uma época de singeleza, de humildade, quando não se sabia algo não era vergonha, íamos trocar conhecimentos, adquiri-los, buscar nas pesquisas tudo que de melhor houvesse.

O foco era o aluno, aquela pessoa à nossa frente, ansiosa em ver o mundo com outros olhos.

Não tínhamos muitos recursos audiovisuais, e, que saudade daqueles tempos, daqueles dias, onde a camaradagem aberta era sem concorrências.

Hoje, nas salas de aula, um verdadeiro mundo de fios, telas, redes conjugadas, É... o professor tem aliados para sua função...

No silêncio em que muitas vezes me deparo aqui no meu recanto com o computador, volvo meus pensamentos para meus anos já vividos de trabalho e que algumas vezes muito penoso, mas, felizmente na maioria de uma grande beleza, dando-nos rumos certos para saber viver e conviver.

Nas asserções de uma linguagem clara e fácil, confesso vi choques e decepções entre as pessoas, as múltiplas facetas das emoções humanas, mas que ao final, tudo foi superado por aquilo que temos de princípios morais, da ética, deduzindo que absorvemos com reflexões e divagações, processos que nos levaram a melhorar, seria a busca da cura não de corpos, mas, de almas.

No silêncio, mais uma vez difícil para mim, porque sou mais da euforia, das palavras ditas, das risadas francas, do conversar, do contar, do trocar, vejo que sempre no crepúsculo busco recordar, meditar.

Deduzo que mais vale em qualquer parte desse planeta, a grandeza infinita que existe nos corações de todos os professores.

Levanto sempre a bandeira que não se deixem abater pelas promessas de dias melhores, de apoios governamentais, de salários justos, porque é inadmissível um educador receber menos de um salário mínimo por 4 horas diárias de trabalho, durante 22 dias do mês, é injusto e vergonhoso aceitarem tal remuneração que resulta em valores que não chegam a 20 reais por dia de trabalho... isso é justo?

Dizer que mil e cem reais para 40 horas semanais é pagar bem, francamente gente, sem palavras!!!

No silêncio e no desabafo, que gotas não permaneçam por entre as nuvens do abandono e da ignorância, porque de alentos nem mais as flores vivem nos canteiros, precisam de adubos e serem regadas, dia a dia, não dispersem em mais um crepúsculo aquilo que sempre aprendemos que as auroras surgem e mesmo que não cristalinas, trazem esperanças.

Que minhas palavras não permaneçam no silêncio, nem embaçadas pela negligência. Façamos como os pássaros que já no alvorecer cantam alto nos topos do arvoredo, anunciando seus ideais de levar aos filhotes do ninho o alimento que os revigorará para a continuidade da espécie.

Façamos como as garças que sobrevoam as ondas do mar e mergulham céleres e fortes, em busca do que lhes possibilite permanecerem vivas.

Sejamos como os animais das selvas que incansavelmente perambulam por trilhas e caminhos na árdua missão em sobreviver.

Nada mais me surpreende quando escrevo sobre professores e funcionários públicos.

Esses dias passados ao transpor um portal de uma área para falecidos lembrei-me dos meus pais, lutadores incansáveis, que nas suas idas ao trabalho não pisavam em calçadas ou asfaltos, mas na terra empoeirada ou no barro da cidade ainda em crescimento, lembro das enchentes da rua Brasílio Itiberê, cuja ponte sumia a cada temporal.

No silêncio e com meus pensamentos, hoje aqui, como aquela estudante que deveria saber escrever certo conforme desejava professor Zacarias, digo que, cometo erros. Certamente em algumas aulas não fui a aluna dedicada que deveria ter sido, mas certamente as sementes que lançaram, brotaram agora no outono da vida, e, mesmo com limitações, tenho a ousadia em escrever e dizer, escute querido mestre, com sua conduta, soube semear tão bem e hoje, tento dizer o que sinto, penso e creio.

Não sei palavrear como os poetas que ele nos fazia estudar e ler em seus livros, mas sei que, mesmo desafinando, tento cantar como poetas — “No coração existem sentimentos tão fortes tal luzes que atravessam os espaços mais sombrios e escuros. O conhecimento jamais nos deixará para onde quer que nos leve o destino.

Ah! Saudades... e quantas saudades... quantas lembranças boas e lindas, dos perfumes, do sininho da Escola Dias da Rocha de Araucária que chamava a meninada para os Hinos Pátrios, quanta saudade das colegas incansáveis, tudo é como vermos lírios desabrochando, coroando aquelas que já partiram.

Saudades em contemplar e passar por aquelas calçadas da trajetória diária até as salas de aula.

A Escola Dias da Rocha será sempre a preferida, fez e sempre fará parte da minha vida profissional.  Este ano ela completa cem anos de existência! Parabéns... Parabéns!!!

E, no epílogo, retrato na sublime oração um pedido, o de nunca abandonar aqueles que coroam em suas mãos o saber e os levam aos pequeninos, pois... deles é... o Reino dos céus!!!

 

Deixe aqui o seu recado para a autora

 

 


 


 

Pelo EnvioWebaguia

Pelo Outlook

 

Fale com a autora:  lyzcorrea@hotmail.com


Adicionar este site aos seus Favoritos
|    Home    |    Menu    |    Voltar    |

|    Livro de Visitas    |



Desde 29.01.2010,
você é o visitante nº


Página melhor visualizada  em Internet Explorer 4.0 ou Superior: 1024 X 768
Copyright© A Gralha Azul - 2009 - Todos os Direitos Reservados